(Só valem os filmes lançados no Brasil neste ano.)
Número 1 – Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)

Não vou esconder que esse foi o filme que eu mais antecipei para este ano. Clint Eastwood tem muito do meu respeito, e o ver dirigindo atores japoneses (logo ele, cujo maior talento é cuidar de seus elencos, coordenando um grupo que não entenderia diretamente sua língua!) seria impagável. Acabou que o filme é excepcional – eu vi primeiramente no cinema, e assim que o DVD saiu, comprei; agora, sabe quantas vezes eu vi o filme em casa? Só duas. Não dá para ver muito. Em todas as vezes, eu fiquei pra baixo. O filme é depressivo, triste, desanimador. Mas ter a depressão que eu tive nas três vezes em que vi Cartas de Iwo Jima, misteriosamente, foi o sentimento mais marcante e prazeroso que o Cinema me proporcionou no ano. A Conquista da Honra fica no chinelo desse filme, tal qual o elenco daquele filme somente comparado a umas três cenas de Ken Watanabe aqui.
Número 2 – Ratatouille (idem)

Eu já conheci pessoas muito mal humoradas nessa vida, mas pensando em todas elas (ou ao menos nas que conseguem se destacar), não dá para imaginar alguma não gostando desse filme. Sei de gente que achou “apenas bom”. Mas menos que isso, ninguém. Eu me apaixonei por cada mísero segundo desse filme. Tal qual Cartas de Iwo Jima, também tenho o DVD deste. Já vi umas três vezes apenas em casa. Adoro o ratinho, adoro que o ratinho não fale com humanos, adoro a trilha sonora, adoro o roteiro, adoro o crítico (e a cena dele comendo o prato-título). Mas o Brad Bird eu não apenas “adoro”. Eu me ajoelho diante de um talento assim. Ele fez o melhor filme que já ganhou o selo da Pixar. Sim, essa maravilha.
Número 3 – A Rainha (The Queen)

O Peter Morgan escreve do jeito que ele escreveu esse filme sempre. Dá para perceber que ele tem o dedo em alguma coisa com poucos minutos. Eu vi Longford, filme de tevê e escrito por ele, nesse ano, e sabia (ou melhor, saberia, se não tivesse lido os créditos iniciais) que o texto era dele só pela forma como o personagem do Jim Broadbent se comportava. Pena que eu não gostei do filme. O mesmo vale para O Último Rei da Escócia – também não gostei, e também foi escrito por ele. Quando foi para eu gostar, porém, eu fiquei nocauteado. As palavras que a Helen Mirren e todos do elenco têm que dizer são tão bem escritas que saem naturalmente, e o filme flui bem porque o texto é um momento ilustre de alguém com talento. Sim, o filme é basicamente o texto e a Helen Mirren. Porque com isso, ninguém precisa de mais nada.
Número 4 – Tropa de Elite (idem)

Esse filme testou minha paciência e opinião fora da sala de cinema. Eu me irrito com gente proclamando as frases de efeito aqui ditas. Eu não me conformo com o funk do filme tocando nas rádios FM. Eu detesto que esse filme tenha virado parte da cultura popular por coisas que não são nem de longe um pingo da qualidade dessa obra. Tanto o Wagner Moura e o José Padilha, duas das figuras mais ilustres do nosso Cinema, se esforçaram tanto para que o “Pede para sair” e o “Pega um, pega geral”… “caíssem na boca do povo”? Se o filme não fosse tão espetacular e de qualidade inegável (sério, só tem UMA cena no filme que eu não gostei!), eu não me importaria em não considerá-lo como um dos melhores do ano. Como você vê, ele está aqui, no quarto lugar.
Número 5 – Apocalypto (idem)

Ação, ação, ação, ação, ação. O protagonista desse filme passa por tudo e não se dá mal. Uau. Olha, falta um elenco conhecido para o filme, mas não falta talento – os “desconhecidos” são ótimos no que tem que fazer. Quem mais faz é o Mel Gibson, com seus problemas particulares, e descontando tudo nos nossos batimentos cardíacos. Ele coordena a ação de forma excepcional, e o filme vai a lugares que transcendem até a História por trás da ação. Nenhum filme esse ano jogou na nossa cara que “não é porque é História que tem que ser sobre História!” e eu, pelo menos, respondi com tanta vontade de ver aquele Cinema meio bizarro. Ah, e eu adorei a fotografia digital também. Bastante.
Número 6 – Pecados Íntimos (Little Children)

Essa semana mesmo eu admiti que sou fã de filmes ou séries com bastante narração, e esse, junto com o filme da oitava posição, são bem assim. Tem gente que não gosta de filme com muito off, mas eu adoro quando ele alcança os personagens de uma forma que, pela superfície, simplesmente não seria possível. O Alexander Payne uma vez fez um filme que virou meio que um clássico, Eleição, mas eu não gostei muito – aquela narração nunca mostra o que a gente não vê. E é justamente a narração que supostamente enriquece aquele filme! Mas, de volta a Pecados Íntimos, o filme é uma combinação delirante de elenco e roteiro, daquelas que quando o filme não é muito bom, eu mesmo assim não consigo perder. Esse aqui é muito bom, e não há porque esconder que eu adorei o filme.
Número 7 – O Preço da Coragem (A Mighty Heart)

Esse filme foi uma surpresa. Quando fui vê-lo, pensei que a história era desculpa para a presença da Angelina Jolie. E não é! Olha, eu adorei a interpretação da Sra. Smith, mas é que o filme é tão mais que isso, e está sendo tão erroneamente divulgado como o contrário, que não sei nem o que dizer, exceto recomendar essa obra. A surpresa desse filme é que ele não tem clichês. Eu fiquei de olhos bem atentos para quando aparecesse algum, mas nada! Sério! O contador mental ficou zerado. Pessoalmente, eu adorei que o filme tenha sido sobre terrorismo e não tenha perdido tempo nos explicando e reensinando a História. O terrorismo ali está globalizado, e não é específico. O filme é sobre emoções e a situação do Oriente Médio. E a personagem central, quanto mais frieza demonstra, mais nos faz querer o bem dela. Uma personagem no mínimo peculiar, inegavelmente complexa.
Número 8 – Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal)

Blablablá, adorei a narração. É assustadora. Eu adoro chegar o mais perto possível de personagens tão mentalmente perturbados assim. Aqui, tem uma só – a Judi Dench. Pôxa, que composição de personagem espetacular! Tá vontande de esfregar na cara daquela preparadora de elenco que disse pra Veja que “composição de personagem não existe”. E a Cate Blanchett, mesmo fazendo coisa errada e etc, também me conquistou e me fez torcer para que a Judi Dench virasse passado. O filme nos leva a lugares psicológicos tão intensos que eu mesmo desejei para mim isso – distância dos pensamentos daquela professora de História peculiar.
Número 9 – Ligeiramente Grávidos (Knocked Up)

O The Graduate moderno. Cheio de detalhezinhos. Cheio de diálogos com referências espertas. E um elenco de gente que em outras situações eu não gostaria muito, mas aqui… uau. Levíssimos. O filme é hilário e uma delícia de ver. Quando eu vi Superbad (putz), aguardava um filme desse nível. Como não foi, o danado ainda me deixou questionando as qualidades do roteiro desse aqui. Bobo, eu. Não, o roteiro não é nada artificial e as referências não soam tão forçadas quanto em Superbad (“olá, eu vou pegar meu amigo e ir até o colégio. Até lá, vou fazer uma piadinha envolvendo Orson Wells e mais tarde, outra, envolvendo os Coen. A cara da minha idade fazer isso!”). Esse Ligeiramente Grávidos me pegou no coração.
Número 10 – Proibido Proibir (idem)

Essa subestimada obra do cinema nacional me incomoda um pouco por causa do elenco, mas de resto, tudo é de ótimo pra cima. A fotografia é espetacular. E o roteiro é daqueles para abraçar e só largar ao final do filme. Eu vi esse Probido Proibir em junho, num festival do Mercosul aqui em Floripa, e cada vez que eu penso nele, é como se fosse uma história que eu vivi. Espero que bastante gente tenha a chance de vê-lo.
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Os filmes que quase fizeram parte dessa lista: Possuídos (Bug) e Borat (idem).
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Agora, a lista dos piores. São dez, também. Eis:
1 – Norbit (idem)
2 – O Retorno dos Malditos (The Hills Have Eyes 2)
3 – Turistas (idem)
4 – Número 23 (The Number 23)
5 – Operação Limpeza (Code Name: The Cleaner)
6 – A Última Cartada (Smokin’ Aces)
7 – Sem Reservas (No Reservations)
8 – Uma Noite no Museu (Night at the Museum)
9 – Transformers (idem)
10 – Hairspray (idem)
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Bem, eu desejo de coração a todos um FELIZ 2008. E nos vemos por aqui no ano que vem.